Viva: A Vida É Uma Festa | Nova animação da Pixar trás cultura mexicana e drama ao cinema

Depois de Carros 3, a parceria entre Disney e Pixar trouxe mais um filme às telonas: Viva: A Vida É Uma Festa.

Miguel (dublado por Anthony Gonzales) é membro da Família Rivera, que vivem no México. Desde muitos anos atrás, sua família está no ramo de confecção de sapatos e tem passado essa tradição para a geração seguinte. Mas o sonho de Miguel é viver de música, ao que sua família é completamente contra. E ele fará o possível para trazer essa arte de volta à família e principalmente à sua própria vida.
Dirigido por Lee Unkrich (Toy Story 2,3; Monstros S.A), Viva: A Vida É Uma Festa, tem um cenário diferente daquele que estamos acostumados, trazendo ao público a cultura mexicana, suas tradições e superstições sobre os Dia de Los Muertos, os estúdios Disney-Pixar fizeram do longa uma experiência confortável e até cultural para quem assiste.
Todo o enredo do filme já nos é antecipado logo nos primeiros minutos de exibição, fazendo uso das bandeirolas para ilustrar os acontecimentos com um boa dinâmica visual – e vale dizer que é o único momento do filme onde o 3D faz uma diferença real; Dali para frente, já saberemos com o que Miguel terá de lidar para seguir seu sonho.
O personagens tem um certo envolvimento raso para a história, a maioria deles – e até o pai e mãe (Jaime Camil e Sofia Espinosa, respectivamente) de Miguel- servem apenas como backgroud. Aqueles que recebem mais minutos de exibição são profundamente desenvolvidos e se resolvem bem. O humor do mundo dos vivos fica a encargo de Coco, o cachorro. E no desenrolar do filme temos Hector (Gael Garcia Bernal), Ernesto de La Cruz (Benjamin Bratt) e toda a trupe cômica do mundo dos mortos que não só trás humor mas também o drama para a história toda, contando até com a aparição de Frida Kahlo (Natalia Kordova Buckley).
Os antepassados de Miguel nos são apresentados logo no começo, nos preparativos para o festival, através de fotografias dos mortos; e quando eles aparecem no filme, como esqueletos, é divertido e tenso, uma experiência boa para se aprofundar ainda mais na personalidade de cada um, Assim como as criaturas, tradicionalmente mexicanas inseridas no filme, servem como pontes para a inserção de mais outros elementos no desenrolar do enredo.
Cada antepassado tem seu grau de importância, sendo o maior deles para a bisavó, Mama Imelda (com voz de Alanna Ubach), o pivô da tradicional aversão da família por música e também fundadora da fábrica de sapatos.
O roteiro, que ficou por conta de Matthew Aldrich e Adrian Molina (este último foi responsável pelo roteiro de Toy Story 3), é bem desenvolvido no começo, um pouco corrido demais no meio do filme, mas fecha bem no final. Sendo os protagonistas uma criança e esqueletos. o dinamismo do filme funciona bem, , dá um bom tom á animação.
A questão mais impressionante do filme não é nem o enredo,  que é até comum (sendo que tem uma temática bem próxima de A Noiva Cadáver), mas sim o projeto visual. As cores e formas para ilustrar,principalmente, o mundo dos mortos são de um capricho impressionante – Planeta dos macacos:a guerra, havia sido o último filme com CG impressionante(pessoalmente falando) até Vovó Inês aparecer e dar outro sentido á render de animação, Kirk Douglas foi o responsável por trazer esse realismo ao filme.
O enredo do filme se passa em pouco mais que algumas horas, por esse motivo é válida a urgência do roteiro e os acontecimentos mais extravagantes quando o filme está caminhando para o final.
O longa é bem desenvolvido e possui um discurso tocante sobre família e coragem, e as performances musicais, quando aparecem, são bem aproveitadas, principalmente as muitas versões de “Lembre de Mim“. A música em si não poderia ser menos do que tocante para o filme, e cumpre seu papel.

Viva: A Vida É Uma Festa, é um filme divertido e confortável, que agrada todas as faixas etárias, e sendo da Pixar, o pensamento de que o Studio não faz mais filme para crianças é inevitável em determinados momentos. Certamente é um filme que tem mais acertos do que erros e em toda sua grandeza é bem singular. Depois de Moana, esse foi o filme que nos trouxe uma cultura diferente, e que tem grandes chances á estatueta de ouro.

Post Author: Paulo Cirilo

Estudante de Design Gráfico. Apreciador profissional de café e arte. Mantenho episódios de séries, livro na mochila, trilhas sonoras cinematográficas e meu Feizer sempre a postos em caso de necessidade.