Thor: Ragnarok | Crítica

Apenas mais um filme do Thor

Quando as primeiras imagens de divulgação de Thor: Ragnarok começaram a rodar na internet, o universo dos fãs de filmes de heróis foi a loucura. Como pode tanta cor? E esse visual estranho? Não tem nada a ver com o Thor que conhecemos! Alguns dos questionamentos dos comentaristas, completamente impertinentes. 

 

Nem parece que as HQs do Thor de antigamente eram coloridas e completamente cheias de alívio cômico:
Thor por Jack Kirby
Difícil dissertar sobre mais um filme da Marvel que segue a fórmula anotada na lousa da sala de aula dos estúdios. Sim, é mais do mesmo, mas dessa vez estrapolando de todas as maneiras a linha tênue entre ter comédia o tempo todo e possuir um bom roteiro. 
 
Thor: Ragnarok continua a saga do deus do trovão de uma forma compreensível para os espectadores que conhecem pouco sobre o arco do filho de Odin nos cinemas, e que só tiveram contato com o personagem nos filmes dos vingadores, por exemplo. A primeira parte do filme já dita o tom de humor que permeia as duas horas de duração da história. Todo o começo é interessante e bem montado, apresentando um Thor notoriamente diferente do que vimos em seus dois filmes anteriores. 
É incontestável a energia animada e empolgante que o filme transmite logo nos primeiros minutos, e Immigrant Song do Led Zeppelin com certeza deixa tudo mais envolvente.

 

Thor (Chris Hemsworth) volta a Asgard, e com seu irmão Loki (Tom Hiddleston) no poder, as coisas andam um pouco desanimadoras. Uma ponta quase gratuita de Stephen Strange (Bennedict Cumberbatch), o Doutor Estranho, dá inicio à trama principal do filme, envolvendo o verdadeiro destino de Odin (Anthony Hopkins). Hela (Cate Blanchet) também é apresentada no meio de tudo isso. Detalhe do autor: pode parecer que esse texto está indo muito rápido, mas é exatamente assim que as coisas acontecem.
 
Num ambiente desconhecido e sem a sua arma de batalha, Thor lida uma figura excêntrica e carismática, o Grão-mestre (Jeff Goldblum) e seu Torneio de Campeões. Uma das melhores coisas do filme é apresentada no início desse arco do filme, a descontrolada Valquíria, muito bem interpretada por Tessa Thompson. 
Todos os personagens e seus arcos são bem introduzidos no filme, inclusive o agora bobalhão Hulk que agora não consegue mais se controlar – fazer a transição para Bruce Banner -, e gera muitas cenas de alívio cômico em todo tempo de tela.
As relações entre esses três personagens (Hulk, Thor e Valquíria) é bem dinâmica e divertida, apenas isso. 

 

Todo o visual do filme é bem feito, mas às vezes não muito aproveitado por Taika Watiti, o diretor. Apesar disso, o trabalho da produção é notório em todo o cenário e os objetos mostrados no filme, a aparência física das figuras são lindas e toda a parte visual não deixa a desejar. 
Em termos técnicos, o que chama atenção é a trilha sonora do filme, que usa e abusa de sintetizadores em quase 90% das músicas, misturando o épico ao digital de uma maneira estranhamente legal. Isso casa com o que foi dito sobre o visual, o estilo muito utilizado hoje em dia da nostalgia oitentista no cinema é elemento fundamental na construção audiovisual do filme. Se outro tipo de elemento diferencial fosse usado na trilha sonora, como por exemplo a moda que Guardiões da Galáxia ditou de usar músicas antigas, a criatividade morreria nesse sentido. É animador ouvir os toques sintetizados e aquela batida de bateria dos anos 80 como fundo musical das pancadarias exacerbadas e raios do deus o trovão.
 
Claramente o filme é visualmente envolvente, porém o artifício da comédia é o único que domina em duas horas de tela, consequentemente, todas as coisas apresentadas para ser o viés dramático do filme, perdem completamente o peso. A vilã Hela, apesar de bem utilizada em vários momentos, e ser muito bem interpretada, fica com um quê de “é só isso?” por conta do humor desequilibrado no roteiro.
Não só isso, mas todos os backgrounds dos personagens são completamente desnecessários para a história. Mas o principal mesmo é o que traz o título do filme, o tal Ragnarok, fim de todas as coisas, que na verdade é mais nome de título do que fato histórico.
O que incomoda não é o humor em si – ele diverte muito e arranca muitas risadas – mas sim o peso mal distribuído para os elementos importantes do filme. É quase como se fosse um spin-off de comédia do Thor. Spin-off, até porque o personagem foi descaracterizado para esse novo filme.

 

Apesar de tudo o que fica faltando, Thor: Ragnarok diverte bastante em sua maior parte. Nem parece ser um filme tão essencial dentro do universo Marvel, apenas uma ou duas cenas específicas parecem ter uma importância no que vem por aí em Vingadores: Guerra Infinita. É divertido, engraçado, propõe todo um novo visual que até é interessante, mas colocando na balança é apenas mais um filme do Thor.
Resumi-lo em poucas palavras é fácil: a verdadeira fórmula-Marvel na sua versão mais sessão da tarde possível.
Agora é sentar e esperar como esse arco vai ser continuado nos próximos capítulos dessa história.
Avaliação do Nerd: 
(Bom)
 

Post Author: Rafa Saboia

Criador do Nerd Nas Estrelas, estudante de propaganda, especialista em não dormir cedo, maratonador de podcasts, acumulador de episódios não assistidos e Jedi nas horas vagas.