The End of The F***ing World | Humor mórbido e muita música boa

É sempre difícil analisar as séries da vermelhinha que acabam por cair nas graças do público. The End of The F***ing World, baseado numa HQ homônima, é uma das recentes séries lançadas pelo serviço de streaming que a gente mais ama que já possue um certo sucesso.

James (Alex Lawther) é um garoto um tanto estranho. Ele tem 17 anos e acha que é um psicopata. Quando criança, criou o hábito de matar animais, e não sentia nenhuma pena e remorso. Não sentia nada, a ponto de em um momento da infância colocar a mão no óleo fervete para tentar sentir alguma coisa.

Alyssa (Jessica Barden), uma garota também estranha que não gosta muito da vida que tem. Seu pai a abandonou quando criança fazendo com que algum tempo depois um padastro chato morasse em sua casa e cuidasse de seus irmãos gêmeos bebês.

Já no primeiro episódio as histórias desses dois jovens se cruzam, quase que aleatoriamente. Alyssa e James começam sua aventura, simplesmente se cansando da vida que estão levando. Dá pra começar dizendo um dos pontos positivos da série, justamente o fato de não demorar pra começar a trama principal, até porque seus apenas 8 episódios com duração média de 20 minutos pedem isso. É muito bom como a série flui com dinanismo, montagem e trilha sonora excelentes. Essess elementos fazem com que seja uma série descomplicada de assistir.

Quase um entretenimento inteiramente divertido, não fossem pelas tiradas mórbidas que o roteiro possue. O fato de James “ser um psicopata” e ter o objetivo de matar alguém assusta um pouco no começo, mas logo a maneira cômica como esses assuntos “pesados” são tratados faz com que essa estranheza se torne algo confortável para assistir.

Inicialmente, é quase que sem motivo que as coisas começam a acontecer. Entendemos que os personagens possuem seus devidos problemas psicológicos, mas como esse assunto é raro em uma série de comédia, é um pouco aleatório como os fatos vão acontencendo. Depois de um ou dois epiódios, porém, dá pra se acostumar com isso.

Legal é ver como as porduções da Netflix conseguem caracterizar tudo muito bem. Desde o principio, o figurino dos personagens refletem muito bem quem eles são, até mesmo os lugares em que vivem. Sempre com cores fracas e sem vida, sem destaque nenhum. Em determinado momento da trama, é nítida a mudança. Justificada por um acontecimento que não será dito aqui por questões de spoiler, os dois se disfarçam e as cores mudam. James com aquela linda camisa hawaiian style, e Alyssa com aquela peruca loira e a famosa jaqueta de seu pai. Interessante dizer também que depois desse momento – que certamente é um dos momentos de maior choque da temporada – o comportamento dos dois vai mudando.

O roteiro se desenrola muito bem e não cai no clicê em momento algum. Começando pelo tema, que sempre é tratado em séries quase documentais, daquele tipo que se fala sobre o assunto. Invés disso, aqui o tema faz parte da trama, e é um dos elementos que faz parte da história. E claro, também é algo novo, em se tratando de série de comédia.

Esqueça também aquela história de “partir em busca de liberdade” porque apesar de parecer que é essa a intenção dos personagens, não há em nenhum momento a pretensão de descoberta pessoal, achar o lugar no mundo, se encontrar nessa vida, e todos esses outros esteriótipos de qualquer coisa que tenha uma roadtrip. Eles não partem em busca de significados, eles apenas partem, o que já é interessante por si só.

Porém, com essa roadtrip, vem as consequências. Algumas coisas precisam surgir, como alguns sentimentos de James. O que faz falta é alguma mudança aparente em Alyssa, mas nada que atrapalhe muito. O ponto dela, na verdade é todo o reencontro com o seu pai – o que não tem nem tanto destaque assim na série.

Falando um pouco das atuações; os dois jovens não pecam. Em algum momento ou outro há um deslize na atuação, onde não dá pra saber o que o personagem está sentindo de verdade, mas talvez seja essa a intenção. Os atores adultos também mandam bem, com destaques para Gemma Elizabeth Whelan (Game of Thrones) e Wunmi Mosaku que interpretam as policiais Eunice e Teri, respectivamente.

Sobre os aspectos técnicos, não há do que reclamar. Há cenas lindas, com uma fotografia muito bem feita, e tudo com um toque a mais das cores escolhidas. E o ponto que mais merece destaque aqui, com certeza é a trilha sonora. As músicas com tom leve e cômicos contrastam totalmente com um pensamento psicopático de querer matar alguém, o que torna a série realmente cômica. Há até alguams músicas românticas, que também constrastam com o que os personagens prinicpais sentem um pelo outro em alguns momentos da série. Com certeza é de se aplaudir a escolha de cada música.

TEOTFW é uma série ironicamente leve de assistir – exceto por alguns momentos bem específicos. Não é uma história de amor comum, na verdade não é uma história nada comum. A estranha jornada do casal de adolescentes problemático prende a atenção do início ao fim, tendo um bom término de primeira temporada. Uma história que começa muito bem, com um bom gancho para uma possível continuação.

Post Author: Rafa Saboia

Criador do Nerd Nas Estrelas, estudante de propaganda, especialista em não dormir cedo, maratonador de podcasts, acumulador de episódios não assistidos e Jedi nas horas vagas.