Lady Bird – A Hora de Voar | Mesmo com roteiro comum, filme chama atenção do público

Lady Bird – A Hora de Voar se torna marcante por alguns aspectos: o primeiro deles é que este é o primeiro filme de Greta Gerwig (Atriz de Mulheres do Século XX) como Diretora e Roteirista solo; o segundo deles é que em Novembro de 2017, Lady Bird se tornou o filme mais bem avaliado pelo Rotten Tomatoes, com 100% de avaliações positivas, ultrapassando Toy Story 2, que até então era o campeão com melhor avaliação pelo site. O filme causa curiosidade a partir disso.

Christine é estudante de uma escola católica conservadora, em Sacramento, Califórnia. Inconformada com a vida simples que leva, seu primeiro ato rebelde é abandonar seu nome de batismo e adotar Lady Bird. Filha de Marion e Larry, Christine tem um conturbado relacionamento com a mãe, Lady Bird aproveita o final do ano letivo da melhor forma que consegue, envolvendo seus amigos e desejos da idade.

Greta Gerwig trata com naturalidade as fases de crescimento de uma adolescente. Há o desprazer de viver a vida que se leva, o desejo por algo maior e melhor (e isso está presente a todo momento no filme), as paixões e desilusões amorosas da vida de Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan) e de seu círculo de amigos, em constante mudança. O senso de cotidiano é muito evidente, pois é disso que se trata: as pequenas revoluções da suportável vida adolescente.

Os personagens são, de modo geral, são bem alocados quando inseridos nas cenas, a grande maioria servindo de background para a personagem principal. Os pais, Marion(Laurie Metcalf) e Larry McPherson (Tracy Letts) servem como base de inspiração para a rebeldia de Lady Bird, sendo a mãe o pivô de suas mais profundas revoltas. Neste quesito, é tratado o drama familiar: a má convivência entre mãe e filha, com seus momentos descontraídos mas que se tornam, rapidamente, em discussão. Ao passar dos minutos, essa relação é aprofundada e aproveitada ao máximo. Vemos o esgotamento materno em tentar conscientizar a filha de seus atos, e a revolta da adolescente por não ter a sonhada liberdade. Já o pai, serve, para a filha e para o filme, como um alívio quase cômico na relação perturbada das duas mulheres da casa.

Além do drama familiar, outro assunto que serpenteia o enredo são a construção e mutação das amizades. Julie Steffans (Beanie Feldstein) sendo a melhor amiga de Lady Bird, é coadjuvante das cenas mais cômicas do filme. O humor implícito fica por conta dela.

O filme se passa no final do ano letivo do ensino médio  e já no começo do filme, algo, para o qual o expectador não foi preparado, já está acontecendo; o que causa certa estranheza, mas deixa claro o relacionamento familiar que será melhor explorado ao decorrer da trama. O corte das cenas não enriquecem a produção; em determinados momentos a cena seguinte é complemente desconexa com a anterior, seja em questão visual ou pelo próprio enredo. A trilha sonora não surpreende, mas é boa; dado o teor do filme, a expectativa é de que os sons sejam mais marcantes. E o final é abrupto, chegando à beira do que seria piegas.

Os assuntos tratados no filme são cotidianos e não possuem tanta profundidade, por relatar vários estágios da vida de uma adolescente em crescimento, mas de maneira muito rápida. As questões técnicas do filme não impressionam, ficam no básico.

Visualmente, Lady Bird é um filme bonito. Utilizando de cores frias, em tons melancólicos. O rosa está muito presente nas cenas e ao desenrolar da história, as cores se tornam mais escuras e neutras, de forma sutil. Essa técnica ilustra bem o desenvolvimento de Christine, durante a transação de adolescente para mulher independente (é inegável que ao final temos uma personagem bem desenvolvida).

Correndo para o final, o filme se torna exaustivo. Com um pequeno acontecimento a cada minuto e o crescimento da relação familiar vai se estreitando nos últimos momentos até finalizar de maneira que aparente ter alguma cena de continuação – e não tem.

Greta teve sua primeira experiência como diretora solo. Fez uma boa estreia, chamando a atenção dos críticos especializados e tratando de um tema tão comum de uma forma mórbida e sem grandes viradas de roteiro.  É um filme típico que apareceu em bom momento do cinema independente, rodeado de drama adolescente e familiar, com romances simplesmente aceitáveis. A luta pela própria independência é sempre muito evidente no filme, mas o roteiro se apega à forma negativa que isso terá sobre a relação entre Christine e Marion.

Lady Bird chama a atenção por ser um filme sobre uma mulher, produzido por uma mulher mas o roteiro é típico. Em 93 minutos, alguns personagens chegam ao seu ápice da boa performance e outros são esquecidos. Alguns dos temas tratados são simplesmente deixados de lado, sem ter um final concreto, já outros recebem uma importância filosófica que se encaixam muito bem à tudo que foi mostrado. Não se pode descarta-lo completamente, há aspectos que merecem a valorização, mas em contra partida  a sensação da produção comum é inevitável.

 

Post Author: Paulo Cirilo

Estudante de Design Gráfico. Apreciador profissional de café e arte. Mantenho episódios de séries, livro na mochila, trilhas sonoras cinematográficas e meu Feizer sempre a postos em caso de necessidade.