Eu, Tonya | A biografia contada com irreverência e inovação

A história de Tonya Harding, e do escândalo que a envolveu, contada pelo australiano Craig Gillespie sob uma proposta diferente e inovadora para o cinema biográfico
 Se tratado de biografias adaptadas para o cinema, geralmente possem uma estrutura padrão, que em alguns casos fica extremamente massante. Eu, Tonya é o oposto disso: A história da patinadora artística mais conhecida dos Estados Unidos é tradada com dinamismo nas cenas, um humor sarcástico, e um elemento que faz total diferença: a quebra da quarta parede.
Tonya Harding (Margot Robbie e Mckkena Grace) cresceu em uma família pobre. Na infância teve que lidar com a ausência do pai, e com LaVonna Harding (Alisson Janey), uma mãe tão fria quanto a pista que Tonya pisava. A patinadora, ainda iniciante, estava prestes a ser um símbolo americano da patinação artística.
Durante a infância, Tonya é interpretada por Mckenna Grace, de onze anos (!) que aos poucos constrói, com muita propriedade, a personalidade rebelde de Tonya. É uma atriz mirim que merece atenção. Nos minutos iniciais, é nítido que a atriz está perfeitamente encaixada no papel. O que vemos dela ainda criança, mostra a personalidade forte que a personagem está desenvolvendo e as razões para isso: sua mãe. LaVonna dispõe de tamanhos desdém e sarcasmo que incentivam a rebeldia da filha – e esta possui tudo para se tornar a mãe mais fria, imprevisível e marcante do cinemaO que culminou o sucesso de Tonya, foi um escândalo que envolveu ela, seu até então marido Jeff (Sebastian Stan), Shawn (Paul Walter Hauser) e Nancy Karrigan (Caitlin  Carver), uma concorrente na patinação artística. Isso é mostrado com drama, sarcasmo e um inteligência admirável no roteiro escrito por Steven Rogers. A direção de Craig Gillespie torna o material ainda mais rico, sem padrões estruturais ou cenas convencionais. As filmagens são  inteligentes e pensadas para mostrar o essencial de cada cena.
O filme se passa em meados dos anos 80/90 e, como dito mais acima, trata-se de uma biografia e a ambientação do filme é um dos muitos pontos fortes, com efeitos visuais sutis porém com personalidade que mostram a essência dos personagens que outrora foram protagonistas de uma história real.
O elenco tem bastante peso e todos eles retratam bem a história da patinadora em questão. Ao final do filme, é mostrado algumas cenas de Tônia durante suas competições e é evidente que a caracterização de Margot foi além de cabelo, penteado e maquiagem (assim como os demais personagens): as expressões físicas são muito próximas da realidade. Se há algo como ponto negativo, seria uma química superficial nas cenas românticas não verbais que envolvem Sebastian Stan. Não chega a ser insuportável, seria mais uma pedrinha no sapato.
Eu, Tônia, é dinâmico, bem construído, segue uma ideia muito linear e todo os picos de emoção do filme são bem explorados. Varia entre o que é prazeroso e o que é doloroso, ao mesmo tempo que trata da esperança da patinadora, tarata daquilo que a impede de ser o que sonha. Todos os relatos retratados são bem desenvolvidos e apegados a cada detalhe que contribua para que o público conheça a história de Tonya e seus coadjuvantes. Vai além do que se espera de uma biografia adaptada para o cinema e com certeza é uma produção digna de reconhecimento, não só pelo lado técnico, mas pela sensibilidade de cada cena.
Alisson Janey levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Golden Globe Awards, SAG 2018 e também no Critics Choise Awards. Pelo mesmo filme, Margot Robbie levou o prêmio de Melhor Atriz de Comédia no Critics Choise Awards. E na premiação mais cobiçada do cinema, Eu, Tônia, está concorrendo ás categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Alisson Janey), Melhor Atriz (Margot Robbie) e Melhor Edição/Montagem.

Post Author: Paulo Cirilo

Estudante de Design Gráfico. Apreciador profissional de café e arte. Mantenho episódios de séries, livro na mochila, trilhas sonoras cinematográficas e meu Feizer sempre a postos em caso de necessidade.