Capitão América #1 – O fardo de Sam Wilson

Aquelas HQs que surpreendem positivamente!

Como você bem sabe, e como foi comentado muitas vezes aqui no blog, a Marvel ama fazer mudanças em seu títulos. Após as Guerras Secretas – aquela grande saga que deu o novo reboot no Universo Marvel – quem assume o manto de Capitão América, agora definitivamente, é Sam Wilson, o falcão. Steve Rogers não é mais o mesmo capitão corpulento e fortão que conhecíamos, pois perdeu o os poderes do Soro do Supersoldado e passou o manto para seu fiel escudeiro. 
Na verdade, o Falcão já vinha atuando como Capitão América (o Novíssimo Capitão), que foi publicado aqui no Brasil pela Panini no mix intitulado Novíssimos Vingadores (leia aqui), mas foi uma historinha tão mediana que prefiro esquecer. Não era o que esse personagem precisava ou merecia.
 
Agora (mais especificamente em dezembro de 2015, mas aqui no Brasil está começando agora), o personagem ganha uma série solo que promete bastante. É um outro contexto, o contexto político mais atual possível. Sam Wilson já é conhecido como Capitão América por bastante gente. Ele começa a se questionar tudo o que acontece no seu país, na sua pátria que ele tanto ama e defende, e pensa sobre como, sendo apenas uma figura simbólica, um super herói, ele conseguiria fazer muito mais do que ser apenas um simbolo.
 
Como mencionei, o contexto é muito atual. Todos sabemos o momento em que os Estados Unidos se encontram, de divisão política. Podemos ate mesmo fazer aqui uma analogia com o momento presente da Marvel. Personagens importantes sendo alterados, trocando gênero, cor… Um exemplo, esses personagens; já vi muita gente falando que não consegue aceitar o fato de que o Capitão América mudou, ou reclamando do fato de que Thor e Wolverine agora são mulheres.
O interessante é que os personagens continuam existindo. Steve Rogers ainda existe. O filho de Odin ainda tá ali. O Logan… bem, o caso dele é um pouco mais complexo, mas podemos considerar que ele ainda está no Universo Marvel. Ou seja, não tem porque reclamar, mudanças são inevitáveis, por mais que as vezes não dê certo.
Pegue esse contexto todo no parágrafo acima e encaixe numa história em quadrinhos. É exatamente isso o que Nick Spencer faz nos roteiros de Capitão América – Sam Wilson. Há uma fato, logo no começo da história, que faz com que Sam trabalhe agora independentemente. É muito interessante como o simples fato dele tomar um lado, adotar uma ideologia, faz com que tudo na história ocorra. Mas sobre a trama, é melhor parar por aqui para não dar spoiler.
 
Algo que define muito bem é uma frase dita pelo próprio Sam Wilson na HQ: “Vamos ser sinceros, este país está divido como sempre esteve. Vermelho e azul. Preto e branco. Republicano e democrata. Norte e sul… Parece que a gente está constantemente se pegando. Ninguém se vê mais como vizinho.” 
Se isso não é atual… Não sei mais o que é!
 
A arte desse título fica por conta de Daniel Cuña, e ele não decepciona. Os traços combinam bastante com o roteiro de Nick e os personagens são bastante expressivos, mas nada exagerado.
 
Vale muito a pena dar uma conferida nesse título. Você que quer entrar agora no mundo dos quadrinhos, aproveite e corra pra banca pra garantir a edição n°1. E, claro, leitor assíduo que não aceita mudanças nos seus personagens queridos, dê uma chance pro Sam.
 
Detalhes técnicos:
Capitão América n°1
Contém duas edições de Captain America: Sam Wilson
52 páginas
R$7,20
Papel LWC.

Post Author: Rafa Saboia

Criador do Nerd Nas Estrelas, estudante de propaganda, especialista em não dormir cedo, maratonador de podcasts, acumulador de episódios não assistidos e Jedi nas horas vagas.